Mercado

Por que 2026 é o ano do usado no agro (e o que isso muda pra quem compra e vende)

05 de setembro de 2026 · 5 min de leitura

Por que 2026 é o ano do usado no agro (e o que isso muda pra quem compra e vende)

Enquanto a indústria de máquinas agrícolas novas patina, o mercado de usados vive um dos seus melhores momentos em anos. Se você está pensando em comprar ou vender um trator, uma colheitadeira ou qualquer outro equipamento agora, entender esse movimento ajuda a tomar uma decisão melhor — e a não pagar mais caro do que devia, nem vender por menos do que vale.

Máquina nova em retração

Os números da indústria de máquinas agrícolas novas em 2026 não são bons. Segundo levantamento da Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor movimentou R$ 26,2 bilhões entre janeiro e julho — 25,8% a menos que no mesmo período de 2025. Só em julho, a receita líquida caiu 27,5% na comparação com julho do ano passado. No primeiro quadrimestre do ano, as vendas já tinham recuado 17,9%.

Isso é bem diferente do que o setor esperava no início do ano, quando a projeção era de crescimento. Juros altos e crédito mais restrito pesaram na decisão de muita gente de trocar de máquina — financiar um zero-quilômetro ficou mais caro, e menos produtor topou esse compromisso em 2026.

Enquanto isso, o usado dispara

Só que máquina parada na lavoura não é opção — quem precisa produzir, produz com o que tem ou parte pro usado. E foi exatamente isso que aconteceu. Segundo levantamento da SOLD, plataforma do ecossistema Superbid Exchange, o número de leilões voltados ao agronegócio cresceu mais de 30% em 2025 na comparação com 2024, com continuidade forte em 2026. Foram quase 11 mil ativos agroindustriais ofertados no ano, um crescimento de 10% frente a 2024, e o Valor Geral de Vendas (VGV) desses leilões subiu 15%.

Entre os equipamentos mais negociados, o trator agrícola lidera disparado, respondendo por 51% das vendas, seguido por plantadeiras (16%) e colheitadeiras (13,5%).

Quem está comprando

Um dado que chama atenção: 86% dos compradores nesse mercado são pessoa física — ou seja, não são grandes empresas comprando em lote, é o produtor comum modernizando a própria frota. A concentração geográfica também é clara: Sudeste concentra 41,2% dessas compras, seguido por Sul (29,1%) e Centro-Oeste (20,5%).

Isso confirma algo que quem trabalha no campo já sente na prática: com crédito mais caro para o zero-quilômetro, o usado deixou de ser "segunda opção" e virou a forma mais realista de manter a frota funcionando sem comprometer o caixa da safra.

O que isso muda pra quem vai comprar ou vender agora

Com mais gente migrando pro mercado de usados — inclusive grandes grupos do setor sucroenergético e florestal desmobilizando parte da frota de forma estratégica —, a oferta de equipamento seminovo está maior. Isso é bom pra quem compra, mas também aumenta a concorrência entre quem vende: um anúncio sem informação técnica, sem histórico e sem prova documental se perde no meio de dezenas de outros parecidos.

Do outro lado, pra quem compra, mais oferta também significa mais risco de tropeçar num vício oculto ou numa documentação irregular se a compra for feita sem nenhuma verificação prévia — motor batido, horímetro adulterado e vendedor que some depois da venda são problemas reais nesse tipo de negociação informal.

É exatamente esse o momento em que documentação e procedência deixam de ser diferencial e passam a ser necessidade.

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